Está tudo perdido

Coisas que oiço, coisas que vejo mas não acredito... Ideias e comentários para estatudoperdido@gmail.com

segunda-feira, maio 26, 2008

 

Viva o verão vivam as dietas
Cá está, verão, loucura, Euro e dietas. Assim que se vê uma andorinha no beiral toda a malta pensa em fazer dietas e comprar fisgas.
Já fiz todos os tipos de dietas e recentemente optei por uma coisa a sério e fui a uma endocrinologista. O nome da Isabel do Carmo saltou-me à vista. Depois de bombista no tempo da brasa está disposta a rebentar com a massa obesa dos portugueses.
Comprei o livro dela, segui a dieta e recomendo vivamente. 15 Dias depois fui capaz de fazer o meu primeiro cocktail Molotov.


 
Maio é o mês do coração e de aparições
Sempre que vou pela A1 passo por Fátima, passo ao largo, é o máximo que a minha fé permite.
Tenho estado a pensar nas ausências de aparições de Deus nosso senhor. Há muito tempo que o redentor não aparece aos olhos dos mais petizes. Ultimamente tem aparecido em bolachas, pacotes de manteiga, batatas e doritos, mas em cima de oliveiras ou no topo de um arranha-céus, que é bom, nada!

Estou desconfiado que Deus não aparece com medo de ser preso. Parece que há um mandado de captura com o seu nome escrito. E Ele sabe disso. Com a quantidade de crimes que são feitos em seu nome já há uma cadeirinha azul celeste na sala 3 do tribunal penal internacional.

 
Chegou o Euro, regressa a loucura.
Foi com espanto que vi Roberto Leal numa conferência de imprensa da selecção.
Depois da carreira do cantor, nascido no Vale da Porca (Macedo de Cavaleiros), ter acabado no momento exacto em que o Rádio Clube Português colocou pela primeira vez no ar a canção que tinha como refrão "Ai cachopa, se tu queres ser bonita, arrebita, arrebita, arrebita", a sua única preocupação é encontrar o pantone certo para alourar os seus cabelos.

Na dita conferência de imprensa Roberto Leal, homem do futebol, e depois de ter perguntado a Sónia Araújo que pantone usava para manter o seu cabelo luzidio, leu um discurso de outro grande homem do futebol, Lula da Silva.

Tenho pena de não ter entendido o discurso, o cantor bem se esforçou mas não consigo entender nada do que ele diz. Acho que o amoníaco da tinta tolda-lhe o discurso. Mais grave foi aparecer o filho, de cabelo preto. Já é grave estar um elemento da família Leal na TV com Scolari, mais grave é estarem dois. Como é que é possível esta malta reproduzir-se, sempre pensei que os químicos da tinta causassem impotência, mas pelos vistos causam apenas ausência de talento.

sexta-feira, maio 09, 2008

 
Casa de Fados?!
Haviam algumas coisas boas antes do 25 de Abril, a revista e o fado.
As pessoas iam com gosto às casas de Fados, vivia-se uma certa boémia controlada de perto. O teatro era um tear onde se entrelaçavam diferentes matizes e se arrematava a censura para longe.
Depois veio o vinte-cinco-do-quatro e a coisa mudou muito. O teatro perdeu-se no amarelo das revistas, e o fado nas casas foi-se perdendo no amarelo nicotina dos dedos dos marialvas e nas vozes roucas que já não ecoam nas vielas.
O pretexto era um jantar de amigos. Um amigo dos bons, dos que não diz mal do primeiro-ministro, nem do Benfica, pois está a viver o sonho americano em tons tropicais.
O local levantou logo suspeita, o Dragão de Alfama. Pensei logo que fosse um restaurante chinês de fados. A ementa fixa denunciava-o ainda mais: Crepe de Pastel de Bacalhau, Família de Cabrito Feliz, e Pêra Rocha Fá-Si, mas era tudo fruto da minha imaginação.
Chegados ao local, naquela Lisboa de outras eras, dos cinco reis das esperas e das toiradas reais, nem vê-la. A das festas, das seculares procissões dos populares pregões matinais, esses já não voltam mais e ainda bem. Num prédio escuro, ladeado por outros em recuperação estava sedeado o restaurante, marcado a custo pelo telefone, através de um certo dançar de português sóbrio ante um português borracho. Cedo ficamos a saber a ementa fixa. Nada de extraordinário a apontar, tirando o vinho. O suor de Baco, perdão, a fina-flor vinhateira tinha o nome de Juanica.
Pobre senhora esta. Que mal terá feito para ser imortalizada nesta zurrapa dos deuses. Encontra-se vinagre mais doce nas mercearias.
Mas nem todo o mal encerrava na Juanica.
O modelo de jantar, com intervalo entre os fados, dava uma margem de manobra muito curta aos convivas. Estes esforçavam-se em falar entre os silêncios obrigados, vi dois amigos a escreverem notas nos guardanapos entre cada lufada fadista. O destino estava traçado. Não se podia falar entre as músicas.
O problema não residia nas músicas, mas sim nos auto-proclamados fadistas. Um dos fadistas podia passar bem por estafeta numa agência funerária, daquelas que dá a notícia do falecimento por anagramas; um outro, rufia, carteirista no eléctrico 28, teria chumbado no concurso de sósias de Jerónimo de Sousa. Para ambos o caminho do fado foi o mais difícil. Ainda hoje esperam tornar-se fadistas.
As vozes femininas, se é que as houve, arrastavam-se à velocidade das obras do metro na linha vermelha. Presumo que a inspiração lhes venha do ácido inalado dos produtos que usam para lavar as escadas, na sua labuta diária.
Mas pior que a ausência de fados, eram as regras. O silêncio opressivo do ‘chiu!’ da arquibancada sempre que se levantava a voz, o negrume que envolvia as vozes ronfas, e a obrigatoriedade de permanecer até ao fim do espectáculo. Mais do que um prémio esta sentença mais parecia um castigo da escola primária. Olhávamos para todo o lado à procura da menina dos olhos.
Quando nos quisermos esgueirar pela porta, aproveitando um dos curtos minutos entre cada vendaval fadista, estamos agrilhoados à falta do café. Não podíamos pagar sem ter bebido o café e nem podíamos pedir o café porque as senhoras estavam a cantar e o café não podia ser tirado porque a máquina a trabalhar fazia barulho e todos nós queríamos silêncio. Enfim o fado é que educa, o fado é que instrui, o fado é que nos dá cabo da paciência.
A noite aproximava-se lentamente do fim, o cemitério de lombo de porco e arroz de presunto descansava sobre a mesa e faziam-lhe companhia as imaculadas garrafas de Juanica. Tão castas como a inocência da empregada que cumpria sincopadamente todas as ordens da sogra e dona do estaminé fadista.
Na minha vida fui uma única vez a uma casa de fados e esta visita ao Dragão de Alfama não entrou nessa contabilidade.

Arquivos

03/01/2004 - 04/01/2004   04/01/2004 - 05/01/2004   05/01/2004 - 06/01/2004   06/01/2004 - 07/01/2004   07/01/2004 - 08/01/2004   10/01/2004 - 11/01/2004   12/01/2004 - 01/01/2005   02/01/2005 - 03/01/2005   03/01/2005 - 04/01/2005   07/01/2005 - 08/01/2005   08/01/2005 - 09/01/2005   09/01/2005 - 10/01/2005   12/01/2005 - 01/01/2006   01/01/2006 - 02/01/2006   05/01/2006 - 06/01/2006   07/01/2006 - 08/01/2006   08/01/2006 - 09/01/2006   09/01/2006 - 10/01/2006   12/01/2006 - 01/01/2007   01/01/2007 - 02/01/2007   01/01/2008 - 02/01/2008   05/01/2008 - 06/01/2008   12/01/2008 - 01/01/2009  

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

Subscrever Mensagens [Atom]